terça-feira, 3 de janeiro de 2012
FÉRIAS
O Baixo Clero está oficialmente de férias a partir de hoje. Pausa para descanso, num ano que promete trabalho intenso. Volto em fevereiro. Feliz 2012 a todos.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
PRESIDENTE DA CÂMARA TROCOU OS PÉS PELAS MÃOS
Diante da repercussão do aumento dos salários dos cargos comissionados do Legislativo, o presidente da Câmara, Gérson Araújo (PSDB), “voltou atrás” e anunciou que o novo salário não viria em janeiro. Na verdade, trocou os pés pelas mãos: como havia uma lei aprovada pelo plenário, só uma nova lei pode mudar os novos salários. A vontade do presidente não tem força de lei.
O que colocou o assunto em evidência foi um erro na publicação da tabela dos comissionados da Câmara. Erro que deu margem a teorias conspiratórias das mais diversas possíveis e imagináveis. Os mais exaltados veem até um dedo do Executivo no episódio.
Os defensores do aumento para os comissionados da Câmara argumentam que o material foi amplamente discutido pela Casa, durante o segundo semestre.
O que colocou o assunto em evidência foi um erro na publicação da tabela dos comissionados da Câmara. Erro que deu margem a teorias conspiratórias das mais diversas possíveis e imagináveis. Os mais exaltados veem até um dedo do Executivo no episódio.
Os defensores do aumento para os comissionados da Câmara argumentam que o material foi amplamente discutido pela Casa, durante o segundo semestre.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
ENTREVISTAS COM O PREFEITO
Fiz duas entrevistas com o prefeito Barbosa Neto (PDT) nesta semana. Uma pelo JL, publicada na edição de hoje - posto a íntegra aqui, porque, como todos sabem, a entrevista não cabe inteira no jornal impresso. O que foi publicado é menos da metade do material.
A outra entrevista foi no PRTV Primeira Edição, com o Leandro Costa.
Segue a entrevista na íntegra:
Sob forte tiroteio devido a denúncias de irregularidades em 2011, o prefeito Barbosa Neto (PDT) conseguiu arquivar três pedidos de Comissão Processante (CP) na Câmara Municipal, apesar de não ter maioria na Casa. Ao avaliar o seu penúltimo ano no cargo, Barbosa atribuiu a série de denúncias, que dizem respeito ao treinamento da guarda municipal, saúde, contrato com a empresa de vigilância Centronic e mais recentemente na educação, aos seus adversários políticos. “Eu não sou do PT, do PSDB e nem sou membro da família Belinati”, aponta o pedetista, na tentativa de identificar a origem dos disparos que neste ano mudaram o cenário da crise política – que foi no Legislativo em 2010 – para o Executivo. Em entrevista concedida ao JL na última terça-feira, no seu gabinete, Barbosa disse que apesar do bombardeio, sua administração deslanchou e sinalizou que ainda há muitas “bondades” para apresentar no último ano da gestão. “Acredito que 2012 é o ano da colheita, de realizações, de entregas de diversas obras que estão sendo realizadas pela cidade”, garante o pedetista.
JL – Esse era o ano para o governo deslanchar. Deslanchou?
Barbosa Neto – Eu acredito que os números mostram aquilo que você faz. Até a gente pode fazer uma análise que nenhum prefeito foi tão massacrado até pelas velhas raposas como nós fomos aqui. Até a união de grupos histórico que sempre estiveram distantes e que agora participaram da tentativa de cassação do nosso mandato. Em que pese tudo isso, em que pesem problemas de saúde até na minha família, em que pese acidente de carro que eu tive e as diversas versões para esses fatos. Até disseram que o meu filho não estava doente, que eu raspei a cabeça por hipocrisia, para me aparecer. Outros disseram que não era eu que estava dirigindo o carro, que eu estava bêbado. Todos sabem que eu tenho vários defeitos, mas sair bêbado dirigindo não é do meu feitio, até porque não consumo bebida alcoólica. Em que pese caixões desfilarem na minha frente, num momento de dificuldade de saúde em família, nós conseguimos nos reerguer buscando a força de Deus e o amaro dele para poder passar por todos esses momentos. E o que fica são os números. Se nós fizermos uma análise, podemos ver, por exemplo, a criação de um consórcio intermunicipal para viabilizar um projeto que vai mudar o perfil socioeconômico da nossa cidade. Investimentos de mais de 5 R$ bilhões, que vai representar 15 mil empregos diretos na cidade de Londrina e um conceito moderno de aeroporto e indústria, envolvendo oito municípios da região metropolitana de Londrina. Nós podemos ficar com a regionalização do Samu, que significa a contratação de mais de 80 médicos e quase 400 profissionais entre enfermeiros e técnicos na nossa cidade. Se a gente for também avaliar números numa área que foi bastante atacada, como a saúde pública, nós podemos falar do fim da terceirização da saúde com a contratação de quase mil profissionais, com concursos públicos agendados ou já anunciados para agentes de endemia, agentes comunitários de saúde. Aumento de salários para médicos, no valor de 50%, para dentistas e enfermeiros em 70%. A criação de uma farmácia popular, com distribuição gratuita de remédios, mais de 120 itens diferentes ou com desconto de 75 a 90% de itens que não constam dessa relação dos 120 itens iniciais. Unidades em construção ou reforma, chegaremos a nove. Isso nunca tinha sido feito até então. Os números são expressivos, falam por si só. A administração deslanchou como nunca. O calçadão novo, que há 30 se fala que Londrina necessita e hoje é elogiado por 90% da população. A organização da cidade, a limpeza, a sinalização, a limpeza do Cidade Limpa, os meios-fios, o asfalto novo, as faixas exclusivas e corredores para ônibus. A redução da criminalidade em até 46% como no caso de homicídios. A guarda municipal que agora terá armamentos e mais de 300 homens e mulheres contratados através de concurso público. A escola em tempo integral, que nós pegamos com 200 crianças em uma escola no contra turno e hoje é realidade em 21 escolas com 12 mil crianças.
JL – O senhor avalia então que a administração deslanchou. E como o senhor encara as diversas críticas, as CEIs e os pedidos de CPs?
Barbosa Neto – Primeiro mostra que não há rolo compressor na Câmara. Você cobre o dia a dia da Câmara há vários anos e pode avaliar e até reconhecer que há liberdade da fiscalização por parte dos vereadores. Nenhum outro prefeito do Brasil, nem em Campinas, que teve já três prefeitos, teve tanta investigação como nós tivemos. Se você analisar o que aconteceu com alguns prefeitos que tiveram seus bens bloqueados, quando foi feito um pedido de afastamento como aconteceu com o prefeito Gilberto Kassab (PSD), de São Paulo e que seus bens foram bloqueados. Ou aqui quando se pediu o afastamento e a Justiça negou, ou depois, o próprio MP estadual condena a investigação que foi feita aqui ou não concorda com a investigação na chamada Operação Antissepsia. A liberdade da imprensa, que muitos veículos não tinham por conta até dos investimentos de quase R$ 104 milhões em valores atualizados, que a Secomtel destinou à imprensa, até para comprar o silêncio nos 7 anos da administração passada, numa investigação que está com o MP. Eu vejo que eu não tenho tempo para fazer política administrando 150 obras públicas. Eu tenho tempo para me dedicar à população. Nenhum outro prefeito se dedicou mais à população como nós. Um programa como o “Prefeitura nos bairros”, o prefeito lá desde as 6 horas até as 14 horas. É um estilo diferente de se governar que realmente não tem muito tempo para fazer agenda política, mas tem que ter uma ligação direta com a população e é isso que nós temos procurado fazer.
JL – Como está a sua relação com a Câmara? Algum vereador tem cargo?
Barbosa Neto – Eu acho isso até normal. Um vereador que faz parte da sua base querer colaborar com o governo e indicar. O governo federal é composto por diversas indicações e o governo do estado também, da mesma forma. Nós não temos nenhum tipo de preconceito caso vereadores indiquem pessoas para poder participar da administração. Desde que seja da sua área de conhecimento, desde que seja legítimo, feito de forma transparente, essa colaboração vem com ideais, com sugestões e com participação também no governo.
JL – Tem algum nome? O senhor citaria um?
Barbosa Neto – Se não tem vai ter ou poderá ter. Eu acho que até tem.
JL – Poderia citar um caso concreto.
Barbosa Neto – O Helinho (Hélio Lourenço da Silva), por exemplo, vou te passar um exemplo que eu me lembro. Era assessor do Jairo Tamura (vereador do PSB hoje líder do Executivo na Câmara), que está na Secretaria de Obras, tem conhecimento nessa área de iluminação pública.
JL – E o vereador Renato lemes (PP)?
Barbosa Neto – Eu não me lembro de participação direta dele no governo, não sei se alguma indicação em algum conselho administrativo. Isso também é normal. Mas governamos com 50 cargos comissionados. Isso é emblemático também, contra 400 de Campinas, 300 de Joinville, 200 e poucos de Maringá. Na administração direta ou indireta, Londrina é a cidade que administra com o menor número de cargos comissionados no Brasil.
JL – A crise da saúde foi o seu principal problema em 2011. A crise já passou?
Barbosa Neto – Vamos fazer a contratação de mais 18 médicos através de concurso público. Já contratamos mais de 80 médicos, fizemos quatro concursos públicos, com mais de 2 anos e 8 meses que estamos na prefeitura. Agora vamos fazer concurso depois do teste seletivo que fizemos para agentes de endemias, agentes comunitários de saúde, são mais 600 profissionais novos. Nós assumimos a prefeitura com 2 mil servidores diretos por meio de concurso. Mil estavam no Ciap ou depois Gálatas ou Atlântico. E nós hoje acabamos praticamente com a terceirização. Não há, por exemplo, nenhum dentista contratado terceirizado, todos eles são funcionários de carreira. Aliás ampliamos a jornada de trabalho dos dentistas, começa com atendimento adulto à noite, inclusive atendendo pessoas, pacientes com deficiência na área de saúde bucal, o que não era feito. São os chamados não colaborativos. Enfim, com a construção de hospital na zona oeste, são outras oito unidades que estão sendo construídas, reformadas ou ampliadas, fora as que já entregamos. Eu acredito realmente que há outra mudança na saúde e houve uma melhora significativa. Principalmente com os investimentos que vamos fazer em 2012: 33% do orçamento, R$ 374 milhões de investimento, não sei se há prefeitura no Brasil que investe tudo isso em saúde pública. A saúde pública melhorou muito. Ainda não está onde nós queremos, mas não vai ficar onde encontramos, lá no fundo do poço. Com sobre preço, com propina, com R$ 13 milhões de reais comprovados em desvio, pelo MP Federal, com o Ciap. Aliás, não foi o Barbosa que trouxe o Ciap, fomos nós que cortamos. Como não fomos nós que trouxemos a Centronic, fomos nós que cortamos a Centronic. A saúde de Londrina deixou de estar refém nas mãos de médicos que recebiam, mas não trabalhavam. Ou que ganhavam incentivos para ficar à distância. A saúde deixou de estar refém de Oscips que tinham que pagar uma propina interna aqui que nós cortamos. Aliás, fomos nós que passamos a fiscalizar rigorosamente a questão da saúde pública. Tanto é que glosamos R$ 2,5 milhões em pagamentos porque ninguém fez essa fiscalização rigorosa. Isso é claro criou animosidades por parte daqueles que se locupletavam com esse esquema. Quem pediu essa investigação pessoalmente fui eu no Ministério da Saúde em Brasília. Protocolei de próprio punho um pedido para ser investigado. E fomos investigados e nada se encontrou. Aliás o cheque de R$ 20 mil pré-datado que teria sido dado para a minha esposa para fazer corrupção dentro da saúde, até agora não se sabe onde esse cheque está.
JL – A que o senhor atribui essas denúncias então? A sua esposa foi acusada.
Barbosa Neto – Você conhece os atores que fizeram as denúncias ou estão por trás delas, melhor do que eu. São pessoas ligadas a partidos ou sindicatos que são oposição à nossa administração e que tiveram seus interesses contrariados.
JL – O senhor acha que são interesses contrariados, então.
Barbosa Neto – Eu coloquei o meu sibilo bancário, fiscal e telefônico à disposição. Esse cheque tinha que ter aparecido na conta de alguém, ou ter sido sacado por alguém com a câmera dos bancos mostrando quem pegou esse cheque. Ou então uma microfilmagem tendo sido apresentada, ou gravação telefônica minha falando com alguém e nada disso aconteceu. Há varias versões para o mesmo objeto, o mesmo cheque. Uns dizem que era para fazer pagamento de propina na saúde, outros que era para trazer emendas parlamentares. Até agora o MP não apresentou a versão verdadeira ou a tese das suas investigações. Aliás as investigações foram desaprovadas pelo MP estadual, órgão superior ao Gaeco.
JL – Essas denúncias podem ser usadas na campanha.
Barbosa Neto – Talvez seja por isso que tenham produzido esse material para desestabilizar o nosso governo. Eu não sou do PT, do PSDB e nem sou membro da família Belinati. É claro que isso fez com que eles usassem de todas as armas contra a nossa administração. Principalmente denúncias, calúnias, mentiras e que realmente abatem a qualquer pessoa, mas graças a Deus, nós buscamos força dele, do nosso Pai celestial para que pudéssemos sobreviver a tudo isso. Mas é natural que uma cidade que tem uma fragmentação política combata aquele que não faz parte do seu meio, do seu grupo, porque na verdade o que eles queriam era estar sentados nessa cadeira. E eles já tiveram oportunidade de governar por 8, por 12, por 14 anos e não fizeram o que estamos fazendo em apenas dois anos e oito meses.
JL – Como o senhor avalia essa terceira colocação no levantamento da Paraná Pesquisas?
Barbosa Neto – Eu estava até pouco tempo atrás por esse mesmo instituto bem inferior a esses números. Eu sinceramente não tenho hoje o foco eleitoral. Ao contrário até dos nossos adversários, que confabulam e só pensam em me tirar do cargo, eu estou pensando no bem da população. Eu ainda tenho um ano pela frente e tenho focado todas as energias, acordando de madrugada me dedicando como nunca para entregar o restaurante popular, pavimentar boa parte da cidade, entregar o hospital da zona oeste, as outras obras que estão em andamento.
JL – Como vai a educação? Apesar de o senhor ter citado um crescimento na escola em tempo integral, também ocorreram problemas, como no caso da compra de livro didático e de uniformes escolares.
Barbosa Neto – Nunca se comprou livros para combater a discriminação étnico- racial na nossa cidade. Não vai haver prejuízo de nenhum centavo ao erário. O prejuízo foi porque os livros não puderam estar já à disposição dos professores e diretores. Os livros não iriam diretamente para os alunos, mão há quantidade para isso. Muitos dos que fizeram a denúncia queriam vender um outro livro para a prefeitura, mas nós não podemos direcionar qualquer tipo de compra feita pela prefeitura, tem que ser feito dentro dos limites legais. Os próprios uniformes escolares. Nunca se deu tênis de qualidade, ninguém questiona a qualidade desses tênis. Mochilas das melhores que existem, duas camisetas manga curta, duas manga longa, dois pares de meia, agasalhos. Ninguém questiona a qualidade. Eu ando por aí e vejo. Não caiu, não rasgou, não desbotou. Se houve problemas, talvez pelo fato de, a exemplo dos livros, de ser feita pela primeira vez essa compra. Mas o grande beneficiado foi o aluno carente, que recebeu esses livros. A merenda escolar farta, que nunca tinha sido feita na cidade. São hoje 7 mil crianças vai para 12 mil, são 5 refeições por dia. Você sabe o escândalo da SP [alimentação] que aconteceu aqui, as páginas policiais estampavam em veículos de circulação nacional o escândalo que aconteceu na Prefeitura de Londrina. Hoje a criança come quantas vezes quiser, uma merenda de qualidade e nós baixamos até. Há pouco tempo era a metade do valor praticado pela administração passada. Eu vejo que há progressos significativos. Se há falhas por parte da licitação da secretária, isso tudo está sendo avaliado pela Secretaria de Gestão, pela Controladoria, pela Corregedoria. E até que se prove em contrário, não podemos condenar ninguém porque há que se respeitar o direito do contraditório. Ninguém pode ser condenado até que se prove que a pessoa tem culpa no cartório, o que até hoje não foi confirmado.
JL – Com relação às frequentes mudanças no secretariado. Essa grande quantidade de mudanças não atrapalha?
Barbosa Neto – Eu vejo que ajudam, porque algum prefeito fez em dois anos e oito meses, tantas casas populares como estamos fazendo? Algum criou a guarda municipal com 200 e poucos homens ou baixou a tarifa do transporte? Porque os outros não pagaram 37% das perdas salariais para os aposentados? Nós temos metas, a pressão para se cumprir realmente é grande. Há pessoas que não se importam, outras que recebem melhores ofertas, outras que decidem não permanecer e outras que escolhemos para retirar do governo. Isso é profundamente normal. Seria ruim se você permanecesse no cargo com secretário por conta de compromisso assumido com partido ou vereador ou seja lá com quem fosse. Isso não ocorre. Aqui o compromisso é com metas, com resultados positivos para a cidade. É isso que eu cobro dos secretários porque eu também sou cobrado diariamente pela população. Aqui, por enquanto o que não pode ser mexido é o prefeito. Se foi me dada essa prerrogativa, a população cobra de mim e eu tenho que cobrar do secretário.
JL – Desse período de administração, o que o senhor considera o seu maior acerto?
Barbosa Neto – A guarda municipal a escola de tempo integral, os uniformes, a merenda, as faixas exclusivas para ônibus, a conservação organização limpeza, o Cidade Limpa, o calçadão, as casas populares.
JL – E qual foi o seu maior erro?
Barbosa Neto – É difícil apontar erros, a gente acredita tanto naquilo que a gente faz...
JL – É mais fácil apontar de fora...
Barbosa Neto – Eu acho. Aponta um que eu defendo. Eu tento.
JL – Qual a sua expectativa para 2012?
Barbosa Neto – Nós não tivemos condição de montar uma equipe como outros prefeitos tiveram. Não tivemos os três meses de preparação do grupo, de escolha dos secretários. Fomos eleitos praticamente em abril e assumimos em maio. Perdemos os quatro primeiros meses da administração, onde está o colostro, como se diz. O dinheiro para começar a fazer as suas obras. Eu governei apenas um ano com orçamento próprio que foi esse que estamos fechando agora. Com toda essa turbulência provocada pelos opositores. E sobrevivemos com muita galhardia com os resultados que já foram mencionados e as conquistas que nós tivemos. E ainda com a insegurança o tempo todo que o ex-prefeito [Antonio Belinati] vai voltar. Isso tudo realmente foi bastante prejudicial. E além disso com eleições no meio, para governador, deputados. Vamos ter agora mais um período de eleição. Acredito que 2012 é o ano da colheita, de realizações, de entregas de diversas obras que estão sendo realizadas pela cidade. Nunca se teve meio bilhão de reais investidos em curto período de tempo em mais de 150 obras públicas. E para cada área temos uma ação. Para cada Secretaria temos números positivos que precisam ser confrontados com os daqueles que já governaram a cidade e que há que se reconhecer o avanço da administração que desde já avalio como vitoriosa.
JL – Qual a sua projeção para a eleição? Como o senhor vê o cenário? O senhor é candidato à reeleição?
Barbosa Neto – Eu até gostaria de ser candidato e já resolver isso. Se o quorum for a minha casa, eu vou perder de goleada. Há resistência dos meus filhos, minhas irmãs, minha mãe, minha esposa que não me querem como candidato à reeleição. Por outro lado é difícil você deixar isso tudo que está em andamento sem ter a oportunidade de enfrentar as urnas. Ter a coragem de ir para os debates e apresentar o que foi feito e mostrar para a sociedade a importância desse trabalho ter uma continuidade. Agora, eu não sou vaidoso a ponto de dizer que eu só eu tenho condições de dentro do grupo ser o candidato. Nós temos aí outros nomes também que por ventura, dentro do PDT busquem até uma aspiração de ser candidato. Mas eu não conversei isso com ninguém, meu foco é fazer uma grande administração. Não tenho hoje cabeça para pensar em eleição. Minha cabeça está focada na melhoria da cidade e no volume de obras incrível que nós conseguimos imprimir e agora temos que terminar.
JL – Sendo candidato, qual o senhor acredita que vai ser o cenário? Quem o senhor acha que será o desafiante?
Barbosa Neto – Por exemplo: o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB) nunca apareceu tão bem avaliado como está hoje. O próprio belinatismo que tem hoje aí mais uma vez o seu representante. Até tem o PT e outras forças. Eu poderia ser o fiel da balança disso tudo. Eu acredito que se o nosso grupo apoiar qualquer um dos dois candidatos, das duas correntes, a probabilidade de se eleger é muito grande. Então eu espero que eles possam pelo menos nos tratar bem para que tenham a esperança de ter a nossa frente apoiando.
JL – Tem mais um pedido de CP para ser votado no ano que vem, a questão da Centronic. Esse pedido preocupa?
Barbosa Neto – Leia o relatório [da CEI da Centronic] e você vai ver que não há nada que responsabilize o prefeito. Pelo contrário, eu tinha que receber um troféu por ter tirado essa Centronic da prefeitura. Foi trazida na gestão passada e há denúncias nos depoimentos do MP de que havia um pagamento de propina para o PT aqui dentro. Isso está público, está confirmado, tem gravado. E estranhamente retira-se o nome do ex-secretario de Gestão que foi quem trouxe essa empresa para cá [o atual vereador Jacks Dias-PT] do relatório da CEI. E querem colocar o Barbosa Neto. A emissora de rádio que fez um contrato legal, legítimo, assinado pelo seu representante, por uma prestação de serviço que nunca teve nenhum prejuízo à Prefeitura de Londrina, ou benefício da rádio ou da empresa. Eu acredito que não há nenhuma responsabilidade do prefeito na questão da Centronic, como não havia na guarda, na saúde. Qualquer pessoa que tiver acesso a esse relatório, se ler, vai ver. E era bom que pegasse os depoimentos dos dirigentes da Centronic à época que falam dos recursos que eram pagos e que parece que continuaram a ser pagos ao vereador que hoje está na Câmara, mesmo com o contrato em vigor. Se seu não corto essa sem–vergonhice Londrina continuaria tendo mais prejuízo para a sua administração. Eu acho que deveria se dar um troféu para o prefeito que acabou com essa cara de pau.
JL – O senhor é jornalista. Na sua administração existem muitas queixas com relação ao tratamento que o senhor recebe da imprensa. Que avaliação o senhor faz?
Barbosa Neto – É publico que o tratamento que a imprensa dá para nossa administração é bem diferente do que era dado para a administração que me antecedeu e até pelas outras administrações. Quanto a isso não há nenhum tipo de dúvida. Talvez pelo fato de eu ser jornalista, ou de eu ter uma emissora de rádio, que eu comprei, eu não ganhei em votação, não foi nenhuma concessão dada pelo Ministério das Comunicações, eu comprei os direitos de forma legítima. E talvez ou principalmente pelo fato de que a Sercomtel deixou de comprar o silêncio de alguns veículos. Alguns deles os quais inclusive já têm candidatos declarados à Prefeitura de Londrina ou que apoiam já pré-candidatos. Em relação à redação eu não tenho nenhum tipo de crítica a fazer. Mas o direcionamento vem, muitas vezes, em muitos veículos, do departamento comercial, que acaba influenciando na redação.
A outra entrevista foi no PRTV Primeira Edição, com o Leandro Costa.
Segue a entrevista na íntegra:
Sob forte tiroteio devido a denúncias de irregularidades em 2011, o prefeito Barbosa Neto (PDT) conseguiu arquivar três pedidos de Comissão Processante (CP) na Câmara Municipal, apesar de não ter maioria na Casa. Ao avaliar o seu penúltimo ano no cargo, Barbosa atribuiu a série de denúncias, que dizem respeito ao treinamento da guarda municipal, saúde, contrato com a empresa de vigilância Centronic e mais recentemente na educação, aos seus adversários políticos. “Eu não sou do PT, do PSDB e nem sou membro da família Belinati”, aponta o pedetista, na tentativa de identificar a origem dos disparos que neste ano mudaram o cenário da crise política – que foi no Legislativo em 2010 – para o Executivo. Em entrevista concedida ao JL na última terça-feira, no seu gabinete, Barbosa disse que apesar do bombardeio, sua administração deslanchou e sinalizou que ainda há muitas “bondades” para apresentar no último ano da gestão. “Acredito que 2012 é o ano da colheita, de realizações, de entregas de diversas obras que estão sendo realizadas pela cidade”, garante o pedetista.
JL – Esse era o ano para o governo deslanchar. Deslanchou?
Barbosa Neto – Eu acredito que os números mostram aquilo que você faz. Até a gente pode fazer uma análise que nenhum prefeito foi tão massacrado até pelas velhas raposas como nós fomos aqui. Até a união de grupos histórico que sempre estiveram distantes e que agora participaram da tentativa de cassação do nosso mandato. Em que pese tudo isso, em que pesem problemas de saúde até na minha família, em que pese acidente de carro que eu tive e as diversas versões para esses fatos. Até disseram que o meu filho não estava doente, que eu raspei a cabeça por hipocrisia, para me aparecer. Outros disseram que não era eu que estava dirigindo o carro, que eu estava bêbado. Todos sabem que eu tenho vários defeitos, mas sair bêbado dirigindo não é do meu feitio, até porque não consumo bebida alcoólica. Em que pese caixões desfilarem na minha frente, num momento de dificuldade de saúde em família, nós conseguimos nos reerguer buscando a força de Deus e o amaro dele para poder passar por todos esses momentos. E o que fica são os números. Se nós fizermos uma análise, podemos ver, por exemplo, a criação de um consórcio intermunicipal para viabilizar um projeto que vai mudar o perfil socioeconômico da nossa cidade. Investimentos de mais de 5 R$ bilhões, que vai representar 15 mil empregos diretos na cidade de Londrina e um conceito moderno de aeroporto e indústria, envolvendo oito municípios da região metropolitana de Londrina. Nós podemos ficar com a regionalização do Samu, que significa a contratação de mais de 80 médicos e quase 400 profissionais entre enfermeiros e técnicos na nossa cidade. Se a gente for também avaliar números numa área que foi bastante atacada, como a saúde pública, nós podemos falar do fim da terceirização da saúde com a contratação de quase mil profissionais, com concursos públicos agendados ou já anunciados para agentes de endemia, agentes comunitários de saúde. Aumento de salários para médicos, no valor de 50%, para dentistas e enfermeiros em 70%. A criação de uma farmácia popular, com distribuição gratuita de remédios, mais de 120 itens diferentes ou com desconto de 75 a 90% de itens que não constam dessa relação dos 120 itens iniciais. Unidades em construção ou reforma, chegaremos a nove. Isso nunca tinha sido feito até então. Os números são expressivos, falam por si só. A administração deslanchou como nunca. O calçadão novo, que há 30 se fala que Londrina necessita e hoje é elogiado por 90% da população. A organização da cidade, a limpeza, a sinalização, a limpeza do Cidade Limpa, os meios-fios, o asfalto novo, as faixas exclusivas e corredores para ônibus. A redução da criminalidade em até 46% como no caso de homicídios. A guarda municipal que agora terá armamentos e mais de 300 homens e mulheres contratados através de concurso público. A escola em tempo integral, que nós pegamos com 200 crianças em uma escola no contra turno e hoje é realidade em 21 escolas com 12 mil crianças.
JL – O senhor avalia então que a administração deslanchou. E como o senhor encara as diversas críticas, as CEIs e os pedidos de CPs?
Barbosa Neto – Primeiro mostra que não há rolo compressor na Câmara. Você cobre o dia a dia da Câmara há vários anos e pode avaliar e até reconhecer que há liberdade da fiscalização por parte dos vereadores. Nenhum outro prefeito do Brasil, nem em Campinas, que teve já três prefeitos, teve tanta investigação como nós tivemos. Se você analisar o que aconteceu com alguns prefeitos que tiveram seus bens bloqueados, quando foi feito um pedido de afastamento como aconteceu com o prefeito Gilberto Kassab (PSD), de São Paulo e que seus bens foram bloqueados. Ou aqui quando se pediu o afastamento e a Justiça negou, ou depois, o próprio MP estadual condena a investigação que foi feita aqui ou não concorda com a investigação na chamada Operação Antissepsia. A liberdade da imprensa, que muitos veículos não tinham por conta até dos investimentos de quase R$ 104 milhões em valores atualizados, que a Secomtel destinou à imprensa, até para comprar o silêncio nos 7 anos da administração passada, numa investigação que está com o MP. Eu vejo que eu não tenho tempo para fazer política administrando 150 obras públicas. Eu tenho tempo para me dedicar à população. Nenhum outro prefeito se dedicou mais à população como nós. Um programa como o “Prefeitura nos bairros”, o prefeito lá desde as 6 horas até as 14 horas. É um estilo diferente de se governar que realmente não tem muito tempo para fazer agenda política, mas tem que ter uma ligação direta com a população e é isso que nós temos procurado fazer.
JL – Como está a sua relação com a Câmara? Algum vereador tem cargo?
Barbosa Neto – Eu acho isso até normal. Um vereador que faz parte da sua base querer colaborar com o governo e indicar. O governo federal é composto por diversas indicações e o governo do estado também, da mesma forma. Nós não temos nenhum tipo de preconceito caso vereadores indiquem pessoas para poder participar da administração. Desde que seja da sua área de conhecimento, desde que seja legítimo, feito de forma transparente, essa colaboração vem com ideais, com sugestões e com participação também no governo.
JL – Tem algum nome? O senhor citaria um?
Barbosa Neto – Se não tem vai ter ou poderá ter. Eu acho que até tem.
JL – Poderia citar um caso concreto.
Barbosa Neto – O Helinho (Hélio Lourenço da Silva), por exemplo, vou te passar um exemplo que eu me lembro. Era assessor do Jairo Tamura (vereador do PSB hoje líder do Executivo na Câmara), que está na Secretaria de Obras, tem conhecimento nessa área de iluminação pública.
JL – E o vereador Renato lemes (PP)?
Barbosa Neto – Eu não me lembro de participação direta dele no governo, não sei se alguma indicação em algum conselho administrativo. Isso também é normal. Mas governamos com 50 cargos comissionados. Isso é emblemático também, contra 400 de Campinas, 300 de Joinville, 200 e poucos de Maringá. Na administração direta ou indireta, Londrina é a cidade que administra com o menor número de cargos comissionados no Brasil.
JL – A crise da saúde foi o seu principal problema em 2011. A crise já passou?
Barbosa Neto – Vamos fazer a contratação de mais 18 médicos através de concurso público. Já contratamos mais de 80 médicos, fizemos quatro concursos públicos, com mais de 2 anos e 8 meses que estamos na prefeitura. Agora vamos fazer concurso depois do teste seletivo que fizemos para agentes de endemias, agentes comunitários de saúde, são mais 600 profissionais novos. Nós assumimos a prefeitura com 2 mil servidores diretos por meio de concurso. Mil estavam no Ciap ou depois Gálatas ou Atlântico. E nós hoje acabamos praticamente com a terceirização. Não há, por exemplo, nenhum dentista contratado terceirizado, todos eles são funcionários de carreira. Aliás ampliamos a jornada de trabalho dos dentistas, começa com atendimento adulto à noite, inclusive atendendo pessoas, pacientes com deficiência na área de saúde bucal, o que não era feito. São os chamados não colaborativos. Enfim, com a construção de hospital na zona oeste, são outras oito unidades que estão sendo construídas, reformadas ou ampliadas, fora as que já entregamos. Eu acredito realmente que há outra mudança na saúde e houve uma melhora significativa. Principalmente com os investimentos que vamos fazer em 2012: 33% do orçamento, R$ 374 milhões de investimento, não sei se há prefeitura no Brasil que investe tudo isso em saúde pública. A saúde pública melhorou muito. Ainda não está onde nós queremos, mas não vai ficar onde encontramos, lá no fundo do poço. Com sobre preço, com propina, com R$ 13 milhões de reais comprovados em desvio, pelo MP Federal, com o Ciap. Aliás, não foi o Barbosa que trouxe o Ciap, fomos nós que cortamos. Como não fomos nós que trouxemos a Centronic, fomos nós que cortamos a Centronic. A saúde de Londrina deixou de estar refém nas mãos de médicos que recebiam, mas não trabalhavam. Ou que ganhavam incentivos para ficar à distância. A saúde deixou de estar refém de Oscips que tinham que pagar uma propina interna aqui que nós cortamos. Aliás, fomos nós que passamos a fiscalizar rigorosamente a questão da saúde pública. Tanto é que glosamos R$ 2,5 milhões em pagamentos porque ninguém fez essa fiscalização rigorosa. Isso é claro criou animosidades por parte daqueles que se locupletavam com esse esquema. Quem pediu essa investigação pessoalmente fui eu no Ministério da Saúde em Brasília. Protocolei de próprio punho um pedido para ser investigado. E fomos investigados e nada se encontrou. Aliás o cheque de R$ 20 mil pré-datado que teria sido dado para a minha esposa para fazer corrupção dentro da saúde, até agora não se sabe onde esse cheque está.
JL – A que o senhor atribui essas denúncias então? A sua esposa foi acusada.
Barbosa Neto – Você conhece os atores que fizeram as denúncias ou estão por trás delas, melhor do que eu. São pessoas ligadas a partidos ou sindicatos que são oposição à nossa administração e que tiveram seus interesses contrariados.
JL – O senhor acha que são interesses contrariados, então.
Barbosa Neto – Eu coloquei o meu sibilo bancário, fiscal e telefônico à disposição. Esse cheque tinha que ter aparecido na conta de alguém, ou ter sido sacado por alguém com a câmera dos bancos mostrando quem pegou esse cheque. Ou então uma microfilmagem tendo sido apresentada, ou gravação telefônica minha falando com alguém e nada disso aconteceu. Há varias versões para o mesmo objeto, o mesmo cheque. Uns dizem que era para fazer pagamento de propina na saúde, outros que era para trazer emendas parlamentares. Até agora o MP não apresentou a versão verdadeira ou a tese das suas investigações. Aliás as investigações foram desaprovadas pelo MP estadual, órgão superior ao Gaeco.
JL – Essas denúncias podem ser usadas na campanha.
Barbosa Neto – Talvez seja por isso que tenham produzido esse material para desestabilizar o nosso governo. Eu não sou do PT, do PSDB e nem sou membro da família Belinati. É claro que isso fez com que eles usassem de todas as armas contra a nossa administração. Principalmente denúncias, calúnias, mentiras e que realmente abatem a qualquer pessoa, mas graças a Deus, nós buscamos força dele, do nosso Pai celestial para que pudéssemos sobreviver a tudo isso. Mas é natural que uma cidade que tem uma fragmentação política combata aquele que não faz parte do seu meio, do seu grupo, porque na verdade o que eles queriam era estar sentados nessa cadeira. E eles já tiveram oportunidade de governar por 8, por 12, por 14 anos e não fizeram o que estamos fazendo em apenas dois anos e oito meses.
JL – Como o senhor avalia essa terceira colocação no levantamento da Paraná Pesquisas?
Barbosa Neto – Eu estava até pouco tempo atrás por esse mesmo instituto bem inferior a esses números. Eu sinceramente não tenho hoje o foco eleitoral. Ao contrário até dos nossos adversários, que confabulam e só pensam em me tirar do cargo, eu estou pensando no bem da população. Eu ainda tenho um ano pela frente e tenho focado todas as energias, acordando de madrugada me dedicando como nunca para entregar o restaurante popular, pavimentar boa parte da cidade, entregar o hospital da zona oeste, as outras obras que estão em andamento.
JL – Como vai a educação? Apesar de o senhor ter citado um crescimento na escola em tempo integral, também ocorreram problemas, como no caso da compra de livro didático e de uniformes escolares.
Barbosa Neto – Nunca se comprou livros para combater a discriminação étnico- racial na nossa cidade. Não vai haver prejuízo de nenhum centavo ao erário. O prejuízo foi porque os livros não puderam estar já à disposição dos professores e diretores. Os livros não iriam diretamente para os alunos, mão há quantidade para isso. Muitos dos que fizeram a denúncia queriam vender um outro livro para a prefeitura, mas nós não podemos direcionar qualquer tipo de compra feita pela prefeitura, tem que ser feito dentro dos limites legais. Os próprios uniformes escolares. Nunca se deu tênis de qualidade, ninguém questiona a qualidade desses tênis. Mochilas das melhores que existem, duas camisetas manga curta, duas manga longa, dois pares de meia, agasalhos. Ninguém questiona a qualidade. Eu ando por aí e vejo. Não caiu, não rasgou, não desbotou. Se houve problemas, talvez pelo fato de, a exemplo dos livros, de ser feita pela primeira vez essa compra. Mas o grande beneficiado foi o aluno carente, que recebeu esses livros. A merenda escolar farta, que nunca tinha sido feita na cidade. São hoje 7 mil crianças vai para 12 mil, são 5 refeições por dia. Você sabe o escândalo da SP [alimentação] que aconteceu aqui, as páginas policiais estampavam em veículos de circulação nacional o escândalo que aconteceu na Prefeitura de Londrina. Hoje a criança come quantas vezes quiser, uma merenda de qualidade e nós baixamos até. Há pouco tempo era a metade do valor praticado pela administração passada. Eu vejo que há progressos significativos. Se há falhas por parte da licitação da secretária, isso tudo está sendo avaliado pela Secretaria de Gestão, pela Controladoria, pela Corregedoria. E até que se prove em contrário, não podemos condenar ninguém porque há que se respeitar o direito do contraditório. Ninguém pode ser condenado até que se prove que a pessoa tem culpa no cartório, o que até hoje não foi confirmado.
JL – Com relação às frequentes mudanças no secretariado. Essa grande quantidade de mudanças não atrapalha?
Barbosa Neto – Eu vejo que ajudam, porque algum prefeito fez em dois anos e oito meses, tantas casas populares como estamos fazendo? Algum criou a guarda municipal com 200 e poucos homens ou baixou a tarifa do transporte? Porque os outros não pagaram 37% das perdas salariais para os aposentados? Nós temos metas, a pressão para se cumprir realmente é grande. Há pessoas que não se importam, outras que recebem melhores ofertas, outras que decidem não permanecer e outras que escolhemos para retirar do governo. Isso é profundamente normal. Seria ruim se você permanecesse no cargo com secretário por conta de compromisso assumido com partido ou vereador ou seja lá com quem fosse. Isso não ocorre. Aqui o compromisso é com metas, com resultados positivos para a cidade. É isso que eu cobro dos secretários porque eu também sou cobrado diariamente pela população. Aqui, por enquanto o que não pode ser mexido é o prefeito. Se foi me dada essa prerrogativa, a população cobra de mim e eu tenho que cobrar do secretário.
JL – Desse período de administração, o que o senhor considera o seu maior acerto?
Barbosa Neto – A guarda municipal a escola de tempo integral, os uniformes, a merenda, as faixas exclusivas para ônibus, a conservação organização limpeza, o Cidade Limpa, o calçadão, as casas populares.
JL – E qual foi o seu maior erro?
Barbosa Neto – É difícil apontar erros, a gente acredita tanto naquilo que a gente faz...
JL – É mais fácil apontar de fora...
Barbosa Neto – Eu acho. Aponta um que eu defendo. Eu tento.
JL – Qual a sua expectativa para 2012?
Barbosa Neto – Nós não tivemos condição de montar uma equipe como outros prefeitos tiveram. Não tivemos os três meses de preparação do grupo, de escolha dos secretários. Fomos eleitos praticamente em abril e assumimos em maio. Perdemos os quatro primeiros meses da administração, onde está o colostro, como se diz. O dinheiro para começar a fazer as suas obras. Eu governei apenas um ano com orçamento próprio que foi esse que estamos fechando agora. Com toda essa turbulência provocada pelos opositores. E sobrevivemos com muita galhardia com os resultados que já foram mencionados e as conquistas que nós tivemos. E ainda com a insegurança o tempo todo que o ex-prefeito [Antonio Belinati] vai voltar. Isso tudo realmente foi bastante prejudicial. E além disso com eleições no meio, para governador, deputados. Vamos ter agora mais um período de eleição. Acredito que 2012 é o ano da colheita, de realizações, de entregas de diversas obras que estão sendo realizadas pela cidade. Nunca se teve meio bilhão de reais investidos em curto período de tempo em mais de 150 obras públicas. E para cada área temos uma ação. Para cada Secretaria temos números positivos que precisam ser confrontados com os daqueles que já governaram a cidade e que há que se reconhecer o avanço da administração que desde já avalio como vitoriosa.
JL – Qual a sua projeção para a eleição? Como o senhor vê o cenário? O senhor é candidato à reeleição?
Barbosa Neto – Eu até gostaria de ser candidato e já resolver isso. Se o quorum for a minha casa, eu vou perder de goleada. Há resistência dos meus filhos, minhas irmãs, minha mãe, minha esposa que não me querem como candidato à reeleição. Por outro lado é difícil você deixar isso tudo que está em andamento sem ter a oportunidade de enfrentar as urnas. Ter a coragem de ir para os debates e apresentar o que foi feito e mostrar para a sociedade a importância desse trabalho ter uma continuidade. Agora, eu não sou vaidoso a ponto de dizer que eu só eu tenho condições de dentro do grupo ser o candidato. Nós temos aí outros nomes também que por ventura, dentro do PDT busquem até uma aspiração de ser candidato. Mas eu não conversei isso com ninguém, meu foco é fazer uma grande administração. Não tenho hoje cabeça para pensar em eleição. Minha cabeça está focada na melhoria da cidade e no volume de obras incrível que nós conseguimos imprimir e agora temos que terminar.
JL – Sendo candidato, qual o senhor acredita que vai ser o cenário? Quem o senhor acha que será o desafiante?
Barbosa Neto – Por exemplo: o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB) nunca apareceu tão bem avaliado como está hoje. O próprio belinatismo que tem hoje aí mais uma vez o seu representante. Até tem o PT e outras forças. Eu poderia ser o fiel da balança disso tudo. Eu acredito que se o nosso grupo apoiar qualquer um dos dois candidatos, das duas correntes, a probabilidade de se eleger é muito grande. Então eu espero que eles possam pelo menos nos tratar bem para que tenham a esperança de ter a nossa frente apoiando.
JL – Tem mais um pedido de CP para ser votado no ano que vem, a questão da Centronic. Esse pedido preocupa?
Barbosa Neto – Leia o relatório [da CEI da Centronic] e você vai ver que não há nada que responsabilize o prefeito. Pelo contrário, eu tinha que receber um troféu por ter tirado essa Centronic da prefeitura. Foi trazida na gestão passada e há denúncias nos depoimentos do MP de que havia um pagamento de propina para o PT aqui dentro. Isso está público, está confirmado, tem gravado. E estranhamente retira-se o nome do ex-secretario de Gestão que foi quem trouxe essa empresa para cá [o atual vereador Jacks Dias-PT] do relatório da CEI. E querem colocar o Barbosa Neto. A emissora de rádio que fez um contrato legal, legítimo, assinado pelo seu representante, por uma prestação de serviço que nunca teve nenhum prejuízo à Prefeitura de Londrina, ou benefício da rádio ou da empresa. Eu acredito que não há nenhuma responsabilidade do prefeito na questão da Centronic, como não havia na guarda, na saúde. Qualquer pessoa que tiver acesso a esse relatório, se ler, vai ver. E era bom que pegasse os depoimentos dos dirigentes da Centronic à época que falam dos recursos que eram pagos e que parece que continuaram a ser pagos ao vereador que hoje está na Câmara, mesmo com o contrato em vigor. Se seu não corto essa sem–vergonhice Londrina continuaria tendo mais prejuízo para a sua administração. Eu acho que deveria se dar um troféu para o prefeito que acabou com essa cara de pau.
JL – O senhor é jornalista. Na sua administração existem muitas queixas com relação ao tratamento que o senhor recebe da imprensa. Que avaliação o senhor faz?
Barbosa Neto – É publico que o tratamento que a imprensa dá para nossa administração é bem diferente do que era dado para a administração que me antecedeu e até pelas outras administrações. Quanto a isso não há nenhum tipo de dúvida. Talvez pelo fato de eu ser jornalista, ou de eu ter uma emissora de rádio, que eu comprei, eu não ganhei em votação, não foi nenhuma concessão dada pelo Ministério das Comunicações, eu comprei os direitos de forma legítima. E talvez ou principalmente pelo fato de que a Sercomtel deixou de comprar o silêncio de alguns veículos. Alguns deles os quais inclusive já têm candidatos declarados à Prefeitura de Londrina ou que apoiam já pré-candidatos. Em relação à redação eu não tenho nenhum tipo de crítica a fazer. Mas o direcionamento vem, muitas vezes, em muitos veículos, do departamento comercial, que acaba influenciando na redação.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
ARROZ COM FEIJÃO
A agenda do Executivo na Câmara não deverá conter os “projetos de cunho estratégico”, apenas o dia-a-dia da administração, segundo avalia a área política. A leitura é de que os projetos mais importantes, que dizem respeito ao plano de governo, já foram todos debatidos. Isso restringiria a agenda legislativa da administração ao “arroz com feijão”.
REFORMA ADIADA
A conversa do prefeito Barbosa Neto (PDT) com os secretários sobre a permanência ou não dos que pretendem disputar as eleições do ano que vem foi prorrogada para a segunda quinzena de janeiro. A previsão era para esta semana, mas as folgas de fim de ano de alguns deles empurraram o assunto para 2012.
A administração não fala sobre se o tratamento será uniforme, mas a tendência é de que o prefeito faça um anúncio geral em janeiro. Alguns secretários/candidatos falam em ficar um pouco mais, outros em sair já para viabilizar suas candidaturas.
Segundo a área política, a antecipação da saída dos secretários – o prazo para a desincompatibilização é abril – é para facilitar a viabilização das candidaturas e também evitar que essa viabilização seja feita dentro da prefeitura.
A administração não fala sobre se o tratamento será uniforme, mas a tendência é de que o prefeito faça um anúncio geral em janeiro. Alguns secretários/candidatos falam em ficar um pouco mais, outros em sair já para viabilizar suas candidaturas.
Segundo a área política, a antecipação da saída dos secretários – o prazo para a desincompatibilização é abril – é para facilitar a viabilização das candidaturas e também evitar que essa viabilização seja feita dentro da prefeitura.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
APUCARANA
A Câmara de Apucarana vota daqui a pouco - e deve decidir em poucos minutos os salários da próxima Legislatura (a partir de 2013) e do prefeito (já para 2012), como mostra reportagem do Bom Dia Paraná.
Os edis da próxima Legislatura devem levar R$ 10 mil para casa, enquanto os atuais levam R$ 6.700.
Já o prefeito, que até este mês leva R$ 22.500 para casa, em janeiro já poderá contar com R$ 25 mil.
Os edis da próxima Legislatura devem levar R$ 10 mil para casa, enquanto os atuais levam R$ 6.700.
Já o prefeito, que até este mês leva R$ 22.500 para casa, em janeiro já poderá contar com R$ 25 mil.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
APARTE NA TV
A coluna foi ao ar ontem, no PRTV 1ª Edição. Posto hoje, com um dia de atraso.
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